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sexta-feira, 10 de julho de 2009

samuel beckett vs sun o)))

manel este é prati!


vladimir:
não vamos perder mais tempo com discursos inúteis!
(pausa. veemente.) vamos fazer qualquer coisa enquanto podemos!
não é todos os dias que somos precisos. se bem que não sejamos
precisamente nós a ser precisos. outros abordariam o problema tão
bem quanto nós, se não mesmo melhor. aqueles gritos de socorro
que ainda tilintam nos nossos ouvidos, foram dirigidos a toda a
humanidade! mas neste local, neste momento, nós somos toda a
humanidade, quer queiramos quer não. vamos aproveitar antes
que seja tarde demais! vamos pelo menos por uma vez representar
condignamente a asquerosa raça à qual um cruel destino nos
consignou! o que é que me dizes? (estragon não diz nada.)
é verdade que, quando ficamos de braços cruzados a pesar os prós
e os contras, não deixamos de honrar a nossa espécie. o tigre
precipita-se em socorro dos seus congéneres sem qualquer
hesitação, ou então esquiva-se por entre as profundezas do mato.
mas não é essa a questão. o que é que nós estamos aqui a fazer,
eis a questão. e felizmente temos o privilégio de, por acaso, saber
a resposta. é verdade, no meio desta imensa confusão apenas uma
coisa é clara. estamos à espera que o godot venha -

estragon: ah, pois é.

pozzo: socorro!

vladimir: ou que a noite caia. (pausa.) cumprimos o combinado,
quanto a isso não há dúvida. não somos nenhuns santos, mas
cumprimos o combinado. quantas mais pessoas poderão dizer
o mesmo?

estragon: biliões.

vladimir: achas?

estragon: não sei.

vladimir: és capaz de ter razão.

pozzo: socorro!

vladimir: só sei que nestas condições as horas duram mais e
nos obrigam a iludi-las com actividades que - como é que hei-de
dizer - que poderão parecer à primeira vista razoáveis, até se
tornarem num hábito. poderás dizer que é para evitar o colapso
da nossa razão. sem dúvida. mas será que não anda ela há já
muito a vaguear pela noite sem fim das profundezas abissais?
é isso que por vezes me pergunto. estás a seguir o meu raciocínio?

- samuel beckett -
(à espera de godot)


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- sun o))) -
(richard)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

samuel beckett vs the kilimanjaro darkjazz ensemble

clov: já estou de volta com uma bolacha.

põe a bolacha na mão de nagg, que pega nela, apalpa-a
e torce o nariz.

nagg(queixoso): o que é isto?
clov: a bolacha clássica.
nagg(igual): é dura! não posso!
hamm: tapa-o!

clov empurra nagg para dentro do caixote do lixo, e põe
a tampa.

clov(voltando ao seu lugar ao lado da cadeira): se a velhice
soubesse!
hamm: senta-te em cima.
clov: não posso sentar-me.
hamm: é verdade. e eu não posso estar de pé.
clov: é assim.
hamm: a cada um a sua especialidade. (pausa.) alguém
telefonou? (pausa.) não nos rimos?
clov(depois de pensar): não me apetece.
hamm(depois de pensar): nem a mim. (pausa.) clov.
clov: o que é?
hamm: a natureza esqueceu-se de nós.
clov: já não há natureza.
hamm: não há natureza! que exagero.
clov: nos arredores.
hamm: mas nós respiramos, mudamos! cai-nos o cabelo,
os dentes! a nossa frescura! os nossos ideais!
clov: então não se esqueceu de nós.

- samuel beckett -
(fim de partida)

Photobucket

- the kilimanjaro darkjazz ensemble -

(caos calmo)