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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

luigi pirandello vs fredg + paul moravec

    não nego que a loucura pudesse já estar em mim; mas peço-vos
que acreditem que esta é a única maneira de se estar verdadeira-
mente só.
    a solidão já não está com vocês; está sempre sem vocês e só é
possível com um estranho à vossa volta: lugar ou pessoa que seja,
que vos ignoram totalmente, que vocês ignoram totalmente, de
maneira que a vossa vontade, o vosso sentimento fiquem suspensos
e perdidos numa incerteza angustiante e, cessando toda a afirmação
de vocês próprios, cesse a própria intimidade da vossa consciência.
a verdadeira solidão está nesse lugar que vive por si e que para
vocês não tem rosto nem voz, e por isso nesse lugar vocês são o
estranho.
    era assim que eu queria estar só. sem mim. sem aquele eu que já
conhecia, ou julgava conhecer. só com um certo estranho, do qual
já sentia obscuramente não poder libertar-me e que era eu próprio:
o estranho inseparável de mim.

- luigi pirandello -
(um, ninguém e cem mil)


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- fredg -
(unspoken words)

- paul moravec -
(scherzo)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

luigi pirandello vs akira kurosawa + anouar brahem

o homem da flor: (...) eu digo-lhe que preciso de me agarrar
através da imaginação à vida alheia, mas assim, sem prazer,
sem me interessar nada por ela, pelo contrário... pelo contrário...
para lhe sentir o fastio, para julgá-la insípida e fútil, a vida. a tal
ponto que não deva ter importância para ninguém por-lhe um
fim.
com raiva contida:
e era isso que era de demonstrar, está a ver? com provas e
exemplos contínuos, a nós próprios, implacavelmente. porque,
caro senhor, nós não sabemos de que coisa é feito, mas é que,
é que, todos o sentimos aqui, como um nó na garganta, o sabor
da vida, sempre insatisfeita, que nunca se pode satisfazer,
porque a vida, no próprio acto de a vivermos, é assim, sempre
ávida de si mesma, não se deixa saborear. o saber está no
passado, que permanece vivo cá dentro. o gosto da vida
vem-nos daí, das recordações que nos têm amarrados. mas
amarrados a quê? a esta sensaboria aqui... a este tédio...
a tantas estúpidas ilusões... insípidas ocupações... sim, sim.
isto que agora, aqui, é uma sensaboria... isto que agora é
para nós uma desventura, uma verdadeira desventura...
sim senhor, à distância de quatro, cinco, dez anos, quem sabe
que sabor terá tomado... que gosto, estas lágrimas... e a vida,
santo deus, só o pensar em perdê-la... especialmente quando
se sabe que é uma questão de dias... (...)

- luigi pirandello -
(o homem da flor na boca)


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- akira kurosawa-
(ikiru)

- anouar brahem -
(talwin)