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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

carlos de oliveira vs micachu

definição

o sal é o mar servido à mesa nas suas praias domésticas de linho.

- carlos de oliveira -


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- micachu -
(lips)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

carlos de oliveira vs micachu

posto de gasolina

poiso a mão vagarosa no capô dos carros como se afagasse a
crina dum cavalo. vêm mortos de sede. julgo que se perderam
no deserto e o seu destino é apenas terem pressa. neste em-
prego, ouço o ruído da engrenagem, o suave movimento do
mundo a acelerar-se pouco a pouco. quem sou eu, no entanto,
que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os
sonhos de quem passa?

- carlos de oliveira -


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- micachu -
(guts)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

carlos de oliveira vs kangding ray

fruto

por um desvio semântico qualquer, que os filólogos
ainda não estudaram, passámos a chamar manhã
à infância das aves. de facto envelhecem quando a
tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos
surgem tão carregadas de tempo.

- carlos de oliveira -


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- kangding ray -
(apnée)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

carlos de oliveira vs the tallis scholars

sono

dormir
mas o sonho
repassa
duma insistente dor
a lembrança
da vida
água outra vez bebida
na pobreza da noite:
e assim perdido
o sono
o olvido
bates, coração, repetes
sem querer
o dia?

- carlos de oliveira -

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- the tallis scholars -
(allegri - miserere)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

carlos de oliveira vs alva noto

infância

I
terra
sem uma gota
de céu.

III
transmutação
do sol em oiro.

cai em gotas,
das folhas,
a manhã deslumbrada.

IV
chamo
a cada ramo
de árvore
uma asa.

e as árvores voam.

mas tornam-se mais fundas
as raízes da casa,
mais densa
a terra sobre a infância.

é o outro lado da magia.

V
e a nuvem
no céu há tantas horas,
água suspensa
porque eu quis,
desmorona-se e cai.

caem com ela
as árvores voadoras.

VI
céu
sem uma gota
de terra.

- carlos de oliveira -


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- alva noto -
(prototype 6)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

carlos de oliveira vs jon balke

salto em altura v

sente-se a variação
na atmosfera do quarto; uma corrente
de ar? com a porta,
as janelas fechadas?
o sopro vem talvez da estante:
poemas, dicionários;
como se a biblioteca desprendesse
substâncias voláteis; ou
que tentam voar; o frémito,
o pressentimento, acorda
os móveis fascinados; pouco a pouco,
no aro do abat-jour,
onde a diferença é mais sensível,
condensa-se o rumor das primeiras
palavras: afinal são elas;
e logo que os seus voos;
anteriores à escrita; as precipitam
no papel, começa-se a escrever.

- carlos de oliveira -


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- jon balke -
(doublespeak)