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quarta-feira, 30 de março de 2011

julio cortázar vs giant sand


preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio


pensa nisto: quando te oferecerem um relógio, oferecem-te um pequeno inferno florido, uma prisão de rosas, um calabouço de ar. não te dão somente o relógio, muitos parabéns, que te dure muitos e bons, é uma óptima marca, suíço com não sei quantos rubis, não te oferecem somente esse pequeno pedreiro que prenderás ao pulso e passearás contigo. oferecem-te - ignoram-no, é terrível ignorá-lo - um novo bocado frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é o teu corpo, que tens de prender ao teu corpo com uma correia, como um bracito desesperado pendente do pulso. oferecem-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de dar corda para que continue a ser um relógio; oferecem-te a obsessão de ver as horas certas nas montras das joalharias, o sinal horário na rádio, o serviço telefónico. oferecem-te o medo de o perder, de seres roubado, de que caia ao chão e se parta. oferecem-te uma marca, a convicção de que é uma marca superior às outras, oferecem-te a tentação de comparares o teu com os outros relógios. não te oferecem um relógio, és tu o oferecido, a ti oferecem para o nascimento do relógio.

- julio cortázar -



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- giant sand -
(cracklin' water)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

gonçalo m. tavares vs steve reich

36

mas ouçamos uma história (outra parábola?):
um duro homem avança por uma rua
que termina numa floresta como antes na infância
avançara por uma floresta que terminava
numa rua.
olha para todos os lados mas evita olhar para cima
pois alguém lhe dissera que os humanos
só participam nos acontecimentos
abaixo do nível dos olhos,
e esta expressão - abaixo do nível dos olhos -
torna-se tão forte como a velha expressão
- abaixo, ou acima, do nível do mar.


37

e eis então que a referência natureza
é substituída pela referência humana.
homens que antes agiam ao nível do mar
agem agora acima ou abaixo do nível dos olhos.
e digamos que: acima do nível dos olhos age
quem espera que os elementos divinos,
o acaso e o destino, resolvam o que a psicologia
e os utensílios não conseguem perceber.


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ao nível dos olhos, pelo contrário, age quem acredita
que os gestos humanos são ainda, ou são agora,
a mais forte aceleração
que se pode introduzir no mundo.
quem age abaixo do nível dos olhos reconhece
que o avanço não foi suficiente
e que só a parte animal do homem,
ou a parte que se humilha, podem solucionar os conflitos.
saltar, argumentar, rastejar
- eis, em síntese, três formas humanas
de responder a um único mundo.
(e bloom vai praticar todas.)

- gonçalo m. tavares -
(uma viagem à índia, canto i)



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- steve reich -
(music for 18 musicians - section iiia)

domingo, 26 de setembro de 2010

khalil gibran vs matthew shipp

o espantalho

certo dia disse a um espantalho: - deves estar cansado
de ficar quieto no meio deste campo deserto.
ele respondeu-me: - o prazer de espantar é profundo e
grande, nunca me cansa.
é verdade, disse eu, também já conheci esse prazer.
ele respondeu: - só podem conhecer esse prazer os que
estão cheios de palha.
afastei-me dele sem saber se a sua resposta era de
elogio ou de troça.

- khalil gibran -


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- matthew shipp -
(equilibrium)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

gonçalo m. tavares vs giant sand

a janela

uma das janelas de calvino, a com melhor vista para a
rua, era tapada por duas cortinas que, no meio, quando
se juntavam, podiam ser abotoadas. uma das cortinas, a
do lado direito, tinha botões e a outra, as respectivas
casas.
calvino, para espreitar por essa janela, tinha primeiro
de desabotoar os sete botões, um a um. depois sim, afas-
tava com as mãos as cortinas e podia olhar, observar o
mundo. no fim, depois de ver, puxava as cortinas para a
frente da janela, e fechava cada um dos botões. era uma
janela de abotoar.
quando de manhã abria a janela, desabotoando, com len-
tidão, os botões, sentia nos gestos a intensidade eró-
tica de quem despe, com delicadeza, mas também com an-
siedade, a camisa da amada.
olhava depois da janela de uma outra forma. como se o
mundo não fosse uma coisa disponível a qualquer momen-
to, mas sim algo que exigia dele, e dos seus dedos, um
conunto de gestos minuciosos.
daquela janela o mundo não era igual.

- gonçalo m. tavares -
(o senhor calvino)



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- giant sand -
(ploy)

terça-feira, 6 de julho de 2010

jorge luis borges vs tame impala

[...]
uma das escolas de tlön chega a negar o tempo: raciocina
que o presente é indefinido, que o futuro não tem reali-
dade senão como esperança presente, e que o passado não
tem realidade senão como recordação presente*. outra es-
cola declara que já decorreu todo o tempo e que a nossa
vida é apenas a lembrança ou reflexo crepuscular, e sem
dúvida falseado e mutilado, de um processo irrecuperável.
outra, que a história do universo - e nela as nossas vi-
das e o pormenor mais ténue das nossas vidas - é a es-
crita que produz um deus subalterno para se entender com
um demónio. outra, que o universo é comparável a essas
criptografias em que não valem todos os símbolos e que
só é verdade o que sucede de trezentas em trezentas noi-
tes. outra, que enquanto dormimos aqui, estamos acorda-
dos noutro lado e que assim cada homem é dois homens.
[...]

*russell (the analysis of mind, 1921, página 159) supõe
que o planeta foi criado há poucos minutos, provido de
uma humanidade que «recorda» um passado ilusório.

- jorge luis borges -
(tlön, uqbar, orbis tertius)



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- tame impala -
(solitude is bliss)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

julio cortázar vs kid kongo

geografias

[...]
«...mares paralelos (rios?). a água infinita (o mar?)
cresce em determinados momentos como uma hera-hera-hera
(ideia de uma parede muito alta, que representaria a maré?).
quando se vai-vai-vai-vai (análoga noção aplicada para
a distância), chega-se à grande sombra verde (um campo
semeado, um matagal, um bosque?) onde o grande deus guarda
o celeiro para as melhores obreiras. nesta região abundam
os horríveis imensos seres (homens?) que destroem os nossos
carreiros. do lado de lá da grande montanha verde, começa
o céu duro (uma montanha?). e é tudo nosso, mas com ameaças.»
esta geografia foi objecto de outra interpretação (dick fry
e niels peterson jr.). o texto corresponderia topografica-
mente a um pequeno jardim da rua laprida, nº 628, buenos
aires. os mares paralelos são dois canos de escoamento;
a água infinita seria um charco dos patos; a grande sombra
verde, um canteiro de alfaces. os horríveis imensos seres
insinuariam os patos ou galinhas, embora se não deva afastar
a possibilidade de realmente se tratar de homens. a respeito
do céu duro já se trava uma polémica que tão depressa não
acabará. à opinião de fry e peterson, que nele vêem qualquer
coisa como vidro, opõe-se a de guilherme sofovich, que julga
tratar-se de um bidé abandonado no meio das alfaces.

- julio cortázar -


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- kid kongo -
(pumpkin pie)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ana hatherly vs double diamond

17

era uma vez uma chave que vivia no bolso de um homem.
durante muito tempo desempenhou com honestidade o seu
trabalho de abrir portas. até que um dia descobriu que todo
o seu trabalho tinha consistido sempre em abrir portas que
já estavam abertas. quando descobriu isso lançou-se cora-
josamente para fora do bolso. caiu no chão. ficou ali.
passa uma criança vê a chave e diz que coisa tão engraçada
para fazer um carrinho.

- ana hatherly -
(351 tisanas)



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- double diamond -
(on the beat)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

pierre reverdy vs the whip

o viajante e a sua sombra

estava tanto calor que ele deixara as suas roupas ao
longo da estrada peça a peça. deixou-as penduradas em
arbustos. e ao retirar a última peça, aproximava-se da
cidade. uma imensa vergonha se apossou dele e o impediu
de entrar. ele estava nu e como poderia ele não dar nas
vistas?
assim passou ao largo da cidade e voltou na direcção
oposta. ele tomara o lugar da sua sombra, que, vinda da
direcção inicial, o protegeu.

- pierre reverdy -
(the traveler and his shadow, trad. menino mau)



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- the whip -
(divebomb)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

pierre reverdy vs cartoom!

o sabor do real

ele andou num pé sem saber onde deveria
colocar o outro. na esquina o vento varreu o pó
e a sua boca voraz engoliu todo o espaço.
ele começou a correr, na esperança de que dum
momento para o outro voasse para longe, mas ao longo
da calha as pedras estavam húmidas e os seus braços
batendo no ar não o conseguiam suster. na sua queda
ele percebeu que era mais pesado que o seu sonho e amou,
a partir daí, o peso que o fizera cair.

- pierre reverdy -
(trad, menino mau)



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- cartoom! -
( dough-nuts town's map)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

tim burton vs the death set

o rapaz com pregos nos olhos

o rapaz com pregos nos olhos
montou a sua árvore de metal.
parecia muito estranha
porque ele realmente via mal.


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- tim burton -
(a morte melancólica do rapaz ostra e
outras estórias)




- the deathset -
(listen to this collision)

terça-feira, 11 de maio de 2010

gonçalo m. tavares vs robotobibok

ferlinghetti

meu caro coração, não abuses do facto de as leis do
governo não falarem de ti. apaixonas-te como algumas
crianças abrem os embrulhos das prendas.
cem mil chineses são cem mil partículas ao nível de
um vigésimo andar e são uma única partícula ao nível
da lua.
meu caro, a tua mulher não é cabide onde coloques o
teu desejo. até porque normalmente o desejo tem menos
tecido do que a roupa normal de um homem.
se com vinte anos ela te deixa cair o lenço, em ma-
neiras de sedução, com setenta anos ela deixará cair
fragmentos do corpo; e o único romantismo com alguma
densidade surge nestes momentos.
seduzido a sério é o velho que apanha do chão a den-
tadura da velha. e vice-versa.

- gonçalo m. tavares -


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- robotobibok -
(sonda jungle)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

ambrose bierce vs vampire weekend

o princípio moral e o interesse material

encontraram-se, um dia, um princípio moral e
um interesse material, no leito duma ponte, tão
estreita que só podia dar passagem a uma pessoa
de cada vez.
- de rastos, vil criatura! - gritou, tonitruante,
o princípio moral. - de rastos, para que eu te
possa passar por cima.
o interesse material limitou-se a fitá-lo bem nos
olhos, sem proferir palavra.
- bem - admitiu o princípio moral, num tom hesi-
tante - tiremos à sorte, para sabermos qual de
nós dois deve recuar até que o outro haja passa-
do a ponte.
o interesse material continuou sem abrir a boca
e a fitar o seu interlocutor.
- para se evitar um conflito - parlamentou o
princípio moral, não sem certo mal-estar - vou
estender-me no chão e consentir que o senhor pas-
-se por cima de mim.
foi, então, que o interesse material tomou a pa-
lavra, para afirmar:
- pois eu penso que você não é bom piso para mim.
sou muito exigente quanto ao que calco aos pés.
acho melhor que se atire ao rio.
e assim se fez.

- ambrose bierce -


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- vampire weekend -
(m79)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

fernando gomes vs the hollies

excesso de poesia

ia todos os dias à biblioteca e todos os dias era o
primeiro a chegar. pedia um livro de poesia e sen-
tava-se de frente para a entrada, lendo e fantasi-
ando. sempre que a porta se abria, descolava dis-
farçadamente os olhos dum poema e observava
quem entrava. andou nisto anos a fio, entre versos,
rimas e sonhos, procurando a mulher da sua vida.
quando a encontrou perdeu-a em poucos minutos.
na realidade, não teve prosa para ela.

- fernando gomes -


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- the hollies -
(stay)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

gonçalo m. tavares vs autolux

edgar allan poe

a imaginação não é uma questão de habilidade. é mais
uma questão de levantar as coisas do seu sítio e ver
o que elas escondem debaixo. como se faz a uma pedra.
se levantares uma pedra pesada do jardim verás que
debaixo dela está um pedaço de terreno de cor dife-
rente da restante relva do jardim. mais esbranquiçada,
com ar mais doente: o sol não passou por ali.
a imaginação? a imaginação é o sol também passar por
ali.
(levanta a pedra, meu caro, faz um esforço.)

- gonçalo m. tavares -


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- autolux -
(robots in the garden)

quarta-feira, 31 de março de 2010

fernando aguiar vs astronautalis

errata
(em forma de soneto com rabo)


- logo na primeira página, precisamente na primeira
linha, onde se lê era uma vez... leia-se finalmente...
- na página catorze, na linha quatro, onde se lê
quadro, leia-se quarto.
- na página seguinte, na linha oito e meio, onde se
lê por meio de, leia-se no meio que.
- quase na página trinta, na linha férrea, onde se lê
tanto mar, leia-se pouca terra.
- na página rasgada, na linha de fogo, onde se lê
forca, leia-se força.
- numa página inexistente, na linha do horizonte,
onde se deveria ler, leia-se mesmo.
- na página do meio, na linha do equador, onde se lê
em paralelo, leia-se em diagonal.
- na página obscura, nas entrelinhas, onde se lê fode-
se
, leia-se pode-se.
- na página solta, na linha terra, onde se lê chão,
leia-se cãho.
- numa página distante, na linha do pensamento,
onde se lê não penso, leia-se mas existo.
- ao virar da página, na linha do infinito, onde se
tem muito que ler, leia-se o muito que se tem.
- na página em branco, na linha do imaginário, onde
não se lê, não se leia.
- numa página perdida, numa linha ao acaso, onde
se lê mesmo assim, leia-se assim mesmo.
- a páginas tantas, na linha com que cada um se cose,
onde se lê entrevista-se, leia-se entredispa-se.
- na última página, mesmo na última linha, onde se
lê finalmente... leia-se era uma vez...

- fernando aguiar -


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- astronautalis -
(a love song for gary numan)

sexta-feira, 26 de março de 2010

gonçalo m. tavares vs kaki king

goethe

todo o silêncio é tesouro se depois dele surgir a
palavra certa. se depois dele surgir a palavra er-
rada, o silêncio não é tesouro, mas cobardia ou
inabilidade.
no oriente o sofrimento merece cem palavras e a
alegria uma. no ocidente o sofrimento merece uma
palavra e a alegria cem.
certos escritores, no entanto, tendo o ouro exa-
cto no silêncio que fazem, usam apenas uma pala-
vra perante o sofrimento e uma palavra perante a
alegria.
e as duas palavras são uma única.

- gonçalo m. tavares -
(biblioteca)



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- kaki king -
(magazine)

quarta-feira, 17 de março de 2010

augusto monterroso vs nils frahm

o paraíso imperfeito

- é verdade - disse mecanicamente o homem,
sem tirar a vista das chamas que ardiam na la-
reira naquela noite de inverno - ; no paraíso
há amigos, música, alguns livros; o único mal
de ir para o céu é que dali o céu não se vê.

- augusto monterroso -


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- nils frahm -
(in the sky and on the ground)

terça-feira, 2 de março de 2010

italo calvino vs the beatles

as cidades e o nome. 5.

(...)
irene é um nome de cidade vista de longe, e se
no aproximarmos muda logo.
a cidade para quem passa sem entrar nela é uma,
e outra para quem é tomado por ela e já não sai;
uma é a cidade a que se chega pela primeira vez,
e a outra a que se deixa para nunca mais voltar;
cada uma delas merece um nome diferente; talvez
de irene já tenha falado sob outros nomes; tal-
vez não tenha falado senão de irene.

- italo calvino -
(as cidades invisíveis)



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- the beatles -
(magical mystery tour)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

italo calvino vs collapse under the empire

as cidades e a memória. 2.

o homem que cavalga longamente por terrenos bravios
sente o desejo de uma cidade. finalmente chega a
isidora, cidade onde os prédios têm escadas de cara-
col incrustadas de búzios marinhos, onde se fabricam
artísticos óculos e violinos, onde quando o foras-
teiro está indeciso entre duas mulheres encontra
sempre uma terceira, onde as lutas de galos degene-
ram em brigas sangrentas entre os apostantes. era
em todas estas coisas que ele pensava quando deseja-
va uma cidade. assim isidora é a cidade dos seus so-
nhos: com uma diferença. a vida sonhada continha-o
jovem; a isidora chega em idade tardia. na praça há
o paredão dos velhos que vêem passar a juventude;
ele está sentado em fila com eles. os desejos são
já recordações.

- italo calvino -
(as cidades invisíveis)



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- collapse under the empire -
(the taste of last summer)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

gonçalo m. tavares vs rjd2

fritjof capra

claro que a física é uma fatia da ciência e a ciência
é uma fatia do mundo, mas se provares uma fatia de um
bolo ficarás com o gosto do bolo todo. claro que se
uma coisa é homogénea no sabor, não necessitas de a
deglutir por completo para dela retirares equações ou
teorias praticamente definitivas.
nenhum museu tem asas a não ser que retires brusca-
mente a força de gravidade ao passado.

- gonçalo m. tavares -
(biblioteca)



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- rjd2 -
(get it)