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segunda-feira, 18 de abril de 2011

carlos culleré vs sonic youth

falo. a voz volta a mim ainda que não seja eco. vai primeiro
a este outro com o qual desde sempre convivo: ele responde-me,
sei-o bem, mas muito raramente compreendo o que diz. logo - essa
voz que de mim brota - viaja. tão longe, tão longe que mais do
que uma vez a dei por perdida. atravessa múltiplas, fatigantes
etapas; fala, obstina-se em falar - e julgar pelos fúteis quando
não ineficazes resultados tão vãmente - a todos quem fui, a todos
os que tive a ilusão de ser. a única impressão (que caberia chamar)
inteligível que me deixa o coro acre das suas vozes é que não há
entre todos eles um só que não deplore o seu destino.
(...)

- carlos culleré -
(trad., menino mau)


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- sonic youth -
(stereo sanctity)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

carlos cullere vs autolux

referências para uma análise da paixão

o verdugo crê que o exercício da sua tarefa o transforma em vítima.
tivemos a colecção mais completa de venenos: para libertar-nos do
outro, de nós mesmos do outro em nós, cada um baixou mil vezes
a mão armada do punhal: continuamos à espera.
o fracasso tem infinitos nomes, como deus, sem dar-nos conta
vamos descobrindo-os inutilmente a cada momento.
não dormir mas entrar finalmente na coragem.
por tanto ter clamado a estima de si, pelo luciferino gesto de
persistir nas linhas dum rosto.
num remoto país de cujo nome não me quero recordar espera-me
uma gargalhada de terra.
perdendo pouco a pouco todos os meus medos chego ao medo.
cantar o quê, quem: a noite canta através duma dupla fileira de dentes.
os amáveis atractivos da vida terminam numa folha de papel higiénico.
em memória do desenvolvimento dos monstros um segundo antes
de ser devorado
amén.

- carlos cullere -
(trad menino mau)



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- autolux -
(turnstile blues)

quarta-feira, 10 de março de 2010

carlos cullere vs rjd2

o uranógrafo

a minha missão é traçar, cada noite, os desenhos astrais.
no fundo sempre renovado dum azul que se transmuta em negro
disponho os brilhos maiores e menores, os deslumbrantes e os
ínfimos apenas perceptíveis.

mas mais que este iluminar mecânico incumbe-me a responsa-
bilidade de que o desenho permaneça idêntico noite após noite,
desde a criação do universo até ao dia acordado, isto é, o dia
em que os homens tenham conseguido decifrar a mensagem que,
lua após lua, devo compor.

- carlos cullere -
(trad. menino mau)



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- rjd2 -
(giant squid)