Tanto pode o benefício
da Graça, que dá saúde,
que ordena que a vida mude;
e o que tomei por vício
me faz grau para a virtude;
E faz que este natural
amor, que tanto se preza,
suba da sombra ao Real,
da particular beleza
para a Beleza geral.
Camões, de Sôbolos rios...
sábado, 28 de dezembro de 2013
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
a sul de nenhum norte 5 vs kraftwerk
5º número da revista mailinda do mundo :D
link para o download -> sacar


- kraftwerk -
(computerwelt)
link para o download -> sacar


- kraftwerk -
(computerwelt)
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
e. e. cummings
sábado, 7 de janeiro de 2012
segunda-feira, 4 de julho de 2011
júlio ramón ribeyro vs johnny cash
13
dentro de nós há como que um instituto de meteorologia que
emite todas as manhãs o nosso estado sentimental: estaremos
contentes, sofreremos, fúria ao meio-dia, etc. e, dada essa
previsão, avançamos temerosos ou confiantes. instituição fa-
laciosa, tão incerta como a que prediz o tempo: a tarde da
qual esperávamos tanto júbilo cobre-se subitamente de uma
tristeza insuportável. mas também como ilumina essa noite
previsivelmente lúgubre o sorriso da desconhecida.
- júlio ramón ribeyro -
(prosas apátridas)

- johnny cash -
(heart of gold)
dentro de nós há como que um instituto de meteorologia que
emite todas as manhãs o nosso estado sentimental: estaremos
contentes, sofreremos, fúria ao meio-dia, etc. e, dada essa
previsão, avançamos temerosos ou confiantes. instituição fa-
laciosa, tão incerta como a que prediz o tempo: a tarde da
qual esperávamos tanto júbilo cobre-se subitamente de uma
tristeza insuportável. mas também como ilumina essa noite
previsivelmente lúgubre o sorriso da desconhecida.
- júlio ramón ribeyro -
(prosas apátridas)

- johnny cash -
(heart of gold)
terça-feira, 19 de abril de 2011
luiza neto jorge vs the young gods
solidificação: a solidão
os corpos gasosos movem-se
em correntes de ar
que solidificadas são
grossas paredes a separar
os outros corpos
a separar todos
os débeis estados da matéria
- luiza neto jorge -

- the young gods -
(two to tango)
os corpos gasosos movem-se
em correntes de ar
que solidificadas são
grossas paredes a separar
os outros corpos
a separar todos
os débeis estados da matéria
- luiza neto jorge -

- the young gods -
(two to tango)
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the young gods
segunda-feira, 18 de abril de 2011
carlos culleré vs sonic youth
falo. a voz volta a mim ainda que não seja eco. vai primeiro
a este outro com o qual desde sempre convivo: ele responde-me,
sei-o bem, mas muito raramente compreendo o que diz. logo - essa
voz que de mim brota - viaja. tão longe, tão longe que mais do
que uma vez a dei por perdida. atravessa múltiplas, fatigantes
etapas; fala, obstina-se em falar - e julgar pelos fúteis quando
não ineficazes resultados tão vãmente - a todos quem fui, a todos
os que tive a ilusão de ser. a única impressão (que caberia chamar)
inteligível que me deixa o coro acre das suas vozes é que não há
entre todos eles um só que não deplore o seu destino.
(...)
- carlos culleré -
(trad., menino mau)

- sonic youth -
(stereo sanctity)
a este outro com o qual desde sempre convivo: ele responde-me,
sei-o bem, mas muito raramente compreendo o que diz. logo - essa
voz que de mim brota - viaja. tão longe, tão longe que mais do
que uma vez a dei por perdida. atravessa múltiplas, fatigantes
etapas; fala, obstina-se em falar - e julgar pelos fúteis quando
não ineficazes resultados tão vãmente - a todos quem fui, a todos
os que tive a ilusão de ser. a única impressão (que caberia chamar)
inteligível que me deixa o coro acre das suas vozes é que não há
entre todos eles um só que não deplore o seu destino.
(...)
- carlos culleré -
(trad., menino mau)

- sonic youth -
(stereo sanctity)
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quarta-feira, 30 de março de 2011
julio cortázar vs giant sand
preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio
pensa nisto: quando te oferecerem um relógio, oferecem-te um pequeno inferno florido, uma prisão de rosas, um calabouço de ar. não te dão somente o relógio, muitos parabéns, que te dure muitos e bons, é uma óptima marca, suíço com não sei quantos rubis, não te oferecem somente esse pequeno pedreiro que prenderás ao pulso e passearás contigo. oferecem-te - ignoram-no, é terrível ignorá-lo - um novo bocado frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é o teu corpo, que tens de prender ao teu corpo com uma correia, como um bracito desesperado pendente do pulso. oferecem-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de dar corda para que continue a ser um relógio; oferecem-te a obsessão de ver as horas certas nas montras das joalharias, o sinal horário na rádio, o serviço telefónico. oferecem-te o medo de o perder, de seres roubado, de que caia ao chão e se parta. oferecem-te uma marca, a convicção de que é uma marca superior às outras, oferecem-te a tentação de comparares o teu com os outros relógios. não te oferecem um relógio, és tu o oferecido, a ti oferecem para o nascimento do relógio.
- julio cortázar -

- giant sand -
(cracklin' water)
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terça-feira, 1 de março de 2011
wislawa szymborska vs steve reich
ainda
em vagões aferrolhados
os nomes atravessam o país.
mas para onde vão
e se um dia sairão,
não perguntem, não respondo, não sei.
o nome natão desfere murros na parede,
o nome isaac em loucura canta,
o nome sara por água grita
para o nome aarão que morre de sede.
não saltes em movimento, ó nome de david.
tu és nome à derrota condenado,
nome sem casa, que não se usa
e nesta terra pesa demasiado.
que nosso filho tenha nome eslavo.
porque aqui até cabelos nos contam,
aqui, na separação do bem e do mal,
também nomes e olhos importam.
não saltes. nosso filho será lech.
não saltes. ainda é cedo.
não saltes. a noite ri-se e arremeda
o bater das rodas.
uma nuvem feita de gente passa sobre o país,
muita nuvem, pouca chuva, uma lágrima,
uma lágrima, pouca chuva, tempo seco.
no bosque negro perdem-se os carris.
pouca-terra, bate a roda. bosque negro.
pouca-terra, o comboio de clamores a passar.
pouca-terra, acordada na noite ouço
pouca-terra, o martelar do silêncio no silêncio.
- wislawa szymborska -

em vagões aferrolhados
os nomes atravessam o país.
mas para onde vão
e se um dia sairão,
não perguntem, não respondo, não sei.
o nome natão desfere murros na parede,
o nome isaac em loucura canta,
o nome sara por água grita
para o nome aarão que morre de sede.
não saltes em movimento, ó nome de david.
tu és nome à derrota condenado,
nome sem casa, que não se usa
e nesta terra pesa demasiado.
que nosso filho tenha nome eslavo.
porque aqui até cabelos nos contam,
aqui, na separação do bem e do mal,
também nomes e olhos importam.
não saltes. nosso filho será lech.
não saltes. ainda é cedo.
não saltes. a noite ri-se e arremeda
o bater das rodas.
uma nuvem feita de gente passa sobre o país,
muita nuvem, pouca chuva, uma lágrima,
uma lágrima, pouca chuva, tempo seco.
no bosque negro perdem-se os carris.
pouca-terra, bate a roda. bosque negro.
pouca-terra, o comboio de clamores a passar.
pouca-terra, acordada na noite ouço
pouca-terra, o martelar do silêncio no silêncio.
- wislawa szymborska -

- steve reich -
(different trains, for double string quartet & tape.
europe - during the war)
europe - during the war)
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wislawa szymborska
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
czeslaw milosz vs tom waits
esperança
esperança surge, quando se acredita
que a terra não é um sonho, mas um corpo vivo,
que não mentem o ouvido, o tacto, a visão
e que todas as coisas que aqui conhecias
são como um jardim visto do portão.
entrar lá não se pode. mas ele existe com rigor.
se melhor olhássemos e com mais sabedoria,
no jardim do mundo uma nova flor
e mais do que uma estrela se avistaria.
há quem diga que os olhos nos iludem
e que nada existe, apenas aparenta,
mas justamente esses não têm esperança.
pensam que ao virar as costas
o mundo desaparecerá de repente
como que roubado por um delinquente.
- czeslaw milosz -

- tom waits -
(chocolate jesus)
esperança surge, quando se acredita
que a terra não é um sonho, mas um corpo vivo,
que não mentem o ouvido, o tacto, a visão
e que todas as coisas que aqui conhecias
são como um jardim visto do portão.
entrar lá não se pode. mas ele existe com rigor.
se melhor olhássemos e com mais sabedoria,
no jardim do mundo uma nova flor
e mais do que uma estrela se avistaria.
há quem diga que os olhos nos iludem
e que nada existe, apenas aparenta,
mas justamente esses não têm esperança.
pensam que ao virar as costas
o mundo desaparecerá de repente
como que roubado por um delinquente.
- czeslaw milosz -

- tom waits -
(chocolate jesus)
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tom waits
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
charles bukowski vs son house
levantar pesos às 2.00 da manhã
bichas fazem isto
ou será que tens
medo de morrer?
bíceps, tríceps,fórceps,
o que vais fazer
com os músculos?
bem, os músculos agradam às senhoras
e mantêm os rufias
à distância-
então?
vale a pena?
vale a pena a obra completa
de balzac?
ou umas férias de 3 semanas
em espanha?
ou, é uma outra forma de
sofrimento?
se fosses pago para o fazer,
odiá-lo-ias.
se um homem fosse pago para fazer amor,
ele odiá-lo-ia.
ainda assim, precisamos do
exercício-
este jogo de escrita:
só o cérebro e a alma
são exercitados.
pára de te queixar
e fá-lo.
enquanto as outras pessoas
dormem
tu levantas uma montanha
com rios de poemas
a escorrer.
- charles bukowski -
(lifting weights at 2.00 a.m., trad. menino mau)

- son house -
(am i right or wrong)
bichas fazem isto
ou será que tens
medo de morrer?
bíceps, tríceps,fórceps,
o que vais fazer
com os músculos?
bem, os músculos agradam às senhoras
e mantêm os rufias
à distância-
então?
vale a pena?
vale a pena a obra completa
de balzac?
ou umas férias de 3 semanas
em espanha?
ou, é uma outra forma de
sofrimento?
se fosses pago para o fazer,
odiá-lo-ias.
se um homem fosse pago para fazer amor,
ele odiá-lo-ia.
ainda assim, precisamos do
exercício-
este jogo de escrita:
só o cérebro e a alma
são exercitados.
pára de te queixar
e fá-lo.
enquanto as outras pessoas
dormem
tu levantas uma montanha
com rios de poemas
a escorrer.
- charles bukowski -
(lifting weights at 2.00 a.m., trad. menino mau)

- son house -
(am i right or wrong)
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
luiza neto jorge vs kurt weill
qualidade perigosa a de alguns
sólidos quando perdidos se viram
para nós
- luiza neto jorge -

- kurt weill -
(die sieben todsünden - anger [molto agitato])
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
milan kundera vs philip glass & leonard cohen
3.
a sensibilidade é indispensável ao homem, mas torna-se temível a
partir do momento em que é aceite como um valor, como um critério
de verdade, como a justificação de um comportamento. os mais
nobres sentimentos nacionais estão prontos a justificar os piores
horrores; e, com o peito insuflado de sentimentos líricos, o homem
comete as piores baixezas em nome do sagrado amor.
(...)
- milan kundera -
(jacques e o seu amo, introdução a uma variação)

- philip glass & leonard cohen -
a sensibilidade é indispensável ao homem, mas torna-se temível a
partir do momento em que é aceite como um valor, como um critério
de verdade, como a justificação de um comportamento. os mais
nobres sentimentos nacionais estão prontos a justificar os piores
horrores; e, com o peito insuflado de sentimentos líricos, o homem
comete as piores baixezas em nome do sagrado amor.
(...)
- milan kundera -
(jacques e o seu amo, introdução a uma variação)

- philip glass & leonard cohen -
(puppet time)
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
charles bukowski vs tennessee ernie ford
um passo removido
conheci uma senhora que viveu com hemingway,
conheci uma senhora que afirmava ter fodido com ezra pound.
sartre convidou-me para o visitar em paris mas eu era demasiado
conheci uma senhora que viveu com hemingway,
conheci uma senhora que afirmava ter fodido com ezra pound.
sartre convidou-me para o visitar em paris mas eu era demasiado
estúpido para aceitar.
caresse crosby do black sun press escreveu-me de itália.
o filho de henry miller escreveu que eu era melhor escritor que o seu
pai.
bebi vinho com john fante.
mas nada disto interessa excepto de uma forma
romântica.
um dia eles falarão sobre mim:
"o chinaski escreveu-me uma carta."
"eu vi o chinaski nas corridas."
"eu vi o chinaski a lavar o carro."
tudo um completo absurdo.
entretanto, um jovem homem de olhos arregalados
desconhecido e só numa sala
estará a escrever coisas que te farão
esquecer todos os outros
excepto talvez o jovem homem
que se seguirá
a ele.
- charles bukowski -
(one step removed, trad. menino mau)

- tennessee ernie ford -
(sixteen tons)
caresse crosby do black sun press escreveu-me de itália.
o filho de henry miller escreveu que eu era melhor escritor que o seu
pai.
bebi vinho com john fante.
mas nada disto interessa excepto de uma forma
romântica.
um dia eles falarão sobre mim:
"o chinaski escreveu-me uma carta."
"eu vi o chinaski nas corridas."
"eu vi o chinaski a lavar o carro."
tudo um completo absurdo.
entretanto, um jovem homem de olhos arregalados
desconhecido e só numa sala
estará a escrever coisas que te farão
esquecer todos os outros
excepto talvez o jovem homem
que se seguirá
a ele.
- charles bukowski -
(one step removed, trad. menino mau)

- tennessee ernie ford -
(sixteen tons)
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
gonçalo m. tavares vs steve reich
36
mas ouçamos uma história (outra parábola?):
um duro homem avança por uma rua
que termina numa floresta como antes na infância
avançara por uma floresta que terminava
numa rua.
olha para todos os lados mas evita olhar para cima
pois alguém lhe dissera que os humanos
só participam nos acontecimentos
abaixo do nível dos olhos,
e esta expressão - abaixo do nível dos olhos -
torna-se tão forte como a velha expressão
- abaixo, ou acima, do nível do mar.
37
e eis então que a referência natureza
é substituída pela referência humana.
homens que antes agiam ao nível do mar
agem agora acima ou abaixo do nível dos olhos.
e digamos que: acima do nível dos olhos age
quem espera que os elementos divinos,
o acaso e o destino, resolvam o que a psicologia
e os utensílios não conseguem perceber.
38
ao nível dos olhos, pelo contrário, age quem acredita
que os gestos humanos são ainda, ou são agora,
a mais forte aceleração
que se pode introduzir no mundo.
quem age abaixo do nível dos olhos reconhece
que o avanço não foi suficiente
e que só a parte animal do homem,
ou a parte que se humilha, podem solucionar os conflitos.
saltar, argumentar, rastejar
- eis, em síntese, três formas humanas
de responder a um único mundo.
(e bloom vai praticar todas.)
- gonçalo m. tavares -
(uma viagem à índia, canto i)

- steve reich -
(music for 18 musicians - section iiia)
mas ouçamos uma história (outra parábola?):
um duro homem avança por uma rua
que termina numa floresta como antes na infância
avançara por uma floresta que terminava
numa rua.
olha para todos os lados mas evita olhar para cima
pois alguém lhe dissera que os humanos
só participam nos acontecimentos
abaixo do nível dos olhos,
e esta expressão - abaixo do nível dos olhos -
torna-se tão forte como a velha expressão
- abaixo, ou acima, do nível do mar.
37
e eis então que a referência natureza
é substituída pela referência humana.
homens que antes agiam ao nível do mar
agem agora acima ou abaixo do nível dos olhos.
e digamos que: acima do nível dos olhos age
quem espera que os elementos divinos,
o acaso e o destino, resolvam o que a psicologia
e os utensílios não conseguem perceber.
38
ao nível dos olhos, pelo contrário, age quem acredita
que os gestos humanos são ainda, ou são agora,
a mais forte aceleração
que se pode introduzir no mundo.
quem age abaixo do nível dos olhos reconhece
que o avanço não foi suficiente
e que só a parte animal do homem,
ou a parte que se humilha, podem solucionar os conflitos.
saltar, argumentar, rastejar
- eis, em síntese, três formas humanas
de responder a um único mundo.
(e bloom vai praticar todas.)
- gonçalo m. tavares -
(uma viagem à índia, canto i)

- steve reich -
(music for 18 musicians - section iiia)
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steve reich
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
herberto helder vs alva noto and ryuichi sakamoto
um dia há a fome. não essa habitual fome surda e continuada,
a básica fome da ilha - estilo central com suas tréguas que
empenham de novo o homem no acto de viver. há a fome extrema.
então as mulheres saem das casas e atravessam os caminhos em
grupos mudos. têm as caras das pessoas velhas embora algumas
sejam ainda mulheres jovens. o seu passo é incerto, porque
saem pouco. estão desesperadas e dirigem-se às autoridades
da ilha. caminham num passo sem jeito, vestidas de negro,
com aquele pensamento femininamente feroz do pão, a deter-
minação de fêmeas ameaçadas nos fundamentos da vida. é uma
fome imediata, um pouco sem dignidade. não atinge a forma de
ideia, uma expressão de silêncio sombrio. é uma fome-fêmea,
e por isso será remediada.
os homens estão deitados na praia, e ir às autoridades é a
última coisa, a coisa desesperada, convincente, brutal e
eficaz que pertence às mulheres. esse alarde a que não fal-
ta malícia não é dos homens. o orgulho inútil é que é dos
homens. ficam na mesma posição, olhando para o mundo. e nes-
se orgulho imóvel de que extraem não se sabe que confusa
justificação, sentem toda a fome por todas as partes do cor-
po. é uma fome-macho, e por isso não seria remediada se a
seu lado se não tivesse desenvolvido, com toda a ignóbil e
engenhosa energia, a fome das mulheres. é a salvação.
as autoridades redigem um apelo às ilhas vizinhas mais, fer-
téis, e depois chega um barco com farinha de milho e barri-
cas de carne seca.
- herberto helder -
(uma ilha em sketches, photomaton & vox)

- alva noto & ryuichi sakamoto -
(a attack : b transition)
a básica fome da ilha - estilo central com suas tréguas que
empenham de novo o homem no acto de viver. há a fome extrema.
então as mulheres saem das casas e atravessam os caminhos em
grupos mudos. têm as caras das pessoas velhas embora algumas
sejam ainda mulheres jovens. o seu passo é incerto, porque
saem pouco. estão desesperadas e dirigem-se às autoridades
da ilha. caminham num passo sem jeito, vestidas de negro,
com aquele pensamento femininamente feroz do pão, a deter-
minação de fêmeas ameaçadas nos fundamentos da vida. é uma
fome imediata, um pouco sem dignidade. não atinge a forma de
ideia, uma expressão de silêncio sombrio. é uma fome-fêmea,
e por isso será remediada.
os homens estão deitados na praia, e ir às autoridades é a
última coisa, a coisa desesperada, convincente, brutal e
eficaz que pertence às mulheres. esse alarde a que não fal-
ta malícia não é dos homens. o orgulho inútil é que é dos
homens. ficam na mesma posição, olhando para o mundo. e nes-
se orgulho imóvel de que extraem não se sabe que confusa
justificação, sentem toda a fome por todas as partes do cor-
po. é uma fome-macho, e por isso não seria remediada se a
seu lado se não tivesse desenvolvido, com toda a ignóbil e
engenhosa energia, a fome das mulheres. é a salvação.
as autoridades redigem um apelo às ilhas vizinhas mais, fer-
téis, e depois chega um barco com farinha de milho e barri-
cas de carne seca.
- herberto helder -
(uma ilha em sketches, photomaton & vox)

- alva noto & ryuichi sakamoto -
(a attack : b transition)
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
robert and shana pakerharrison vs giant sand
- giant sand -
(belly full of fire)
architect's brother

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -

- robert and shana pakerharrison -
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
manoel de barros vs amon tobin
poema
a poesia está guardada nas palavras - é tudo que
eu sei.
meu fado é o de não entender quase tudo.
prepondero a sandeu.
sobre o nada eu tenho profundidades.
não cultivo conexões com o real.
para mim, poderoso não é aquele que descobre ouro,
poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias:
(do mundo e nossas)
por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
fiquei muito emocionado e chorei.
sou fraco para elogios.
- manoel de barros -

- amon tobin -
(eight sum)
a poesia está guardada nas palavras - é tudo que
eu sei.
meu fado é o de não entender quase tudo.
prepondero a sandeu.
sobre o nada eu tenho profundidades.
não cultivo conexões com o real.
para mim, poderoso não é aquele que descobre ouro,
poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias:
(do mundo e nossas)
por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
fiquei muito emocionado e chorei.
sou fraco para elogios.
- manoel de barros -

- amon tobin -
(eight sum)
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domingo, 26 de setembro de 2010
khalil gibran vs matthew shipp
o espantalho
certo dia disse a um espantalho: - deves estar cansado
de ficar quieto no meio deste campo deserto.
ele respondeu-me: - o prazer de espantar é profundo e
grande, nunca me cansa.
é verdade, disse eu, também já conheci esse prazer.
ele respondeu: - só podem conhecer esse prazer os que
estão cheios de palha.
afastei-me dele sem saber se a sua resposta era de
elogio ou de troça.
- khalil gibran -

- matthew shipp -
(equilibrium)
certo dia disse a um espantalho: - deves estar cansado
de ficar quieto no meio deste campo deserto.
ele respondeu-me: - o prazer de espantar é profundo e
grande, nunca me cansa.
é verdade, disse eu, também já conheci esse prazer.
ele respondeu: - só podem conhecer esse prazer os que
estão cheios de palha.
afastei-me dele sem saber se a sua resposta era de
elogio ou de troça.
- khalil gibran -

- matthew shipp -
(equilibrium)
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
fredrik marsh vs pink floyd
- pink floyd -
(several species of small furry animals gathered together in
a cave grooving with a pict)
transitions: the dresden project
during a three-month artist residency in Dresden, Germany in 2002
and over the next 4 subsequent summers, fredrik marsh explored
the city and its outskirts, finding myself increasingly drawn
towards photographing empty structures overlooked in the
rebuilding, reconstruction, and renewal process still underway.
encountered during these many extended walks throughout the now
familiar city, his efforts concentrated on photographing the
detritus of human culture discovered in the decaying interior
spaces of vacant factories, abandoned apartments, and hotel rooms.
the dresden project demonstrates the juxtapositions and ironies
still abundant in the post-Socialist world, showing the old and
the new as well as the grandeur and the decay of these once-
majestic buildings.

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, buchenstraße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned house, am kirchberg, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, vorwerkstraße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, near koblenzer straße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, dresden-übigau, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, near mockritzer straße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, dresden-übigau, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, vorwerkstraße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, am lagerplatz, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, stauffenbergallee, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, johannstraße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, stauffenbergallee, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, near koblenzer straße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, dresden-übigau, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned bus depot, tolkewitzer straße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, mickten district, 2004)

- fredrik marsh -
(abandoned factory, leipziger straße, 2004)
transitions: the dresden project
during a three-month artist residency in Dresden, Germany in 2002
and over the next 4 subsequent summers, fredrik marsh explored
the city and its outskirts, finding myself increasingly drawn
towards photographing empty structures overlooked in the
rebuilding, reconstruction, and renewal process still underway.
encountered during these many extended walks throughout the now
familiar city, his efforts concentrated on photographing the
detritus of human culture discovered in the decaying interior
spaces of vacant factories, abandoned apartments, and hotel rooms.
the dresden project demonstrates the juxtapositions and ironies
still abundant in the post-Socialist world, showing the old and
the new as well as the grandeur and the decay of these once-
majestic buildings.

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, buchenstraße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned house, am kirchberg, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, vorwerkstraße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned apartment, near koblenzer straße, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, dresden-übigau, 2005)

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(abandoned apartment, near mockritzer straße, 2005)

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(abandoned building, dresden-übigau, 2005)

- fredrik marsh -
(abandoned building, vorwerkstraße, 2005)

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(abandoned apartment, am lagerplatz, 2005)

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(abandoned apartment, stauffenbergallee, 2005)

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(abandoned apartment, johannstraße, 2005)

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(abandoned apartment, stauffenbergallee, 2005)

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(abandoned apartment, near koblenzer straße, 2005)

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(abandoned building, dresden-übigau, 2005)

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(abandoned bus depot, tolkewitzer straße, 2005)

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(abandoned apartment, mickten district, 2004)

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(abandoned factory, leipziger straße, 2004)
Etiquetas:
fredrik marsh,
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